O colombiano também faz parte dos nomes atuais do reggaeton. Assim como Maluma, ele tem uma parceria com a funkeira Anitta, na faixa Ginza. J Balvin é o cantor preferido para participar de remixes de artistas famosos. Ele participou de versões de Blurred lines, de Robin Thicke, com Pharrell Williams e T.I.; The way, de Ariana Grande; Maps, com Maroon 5; e Sorry, de Justin Bieber.
cinco perguntas para...
Petra Rivera-Rideau
professora de Estudos Americanos na Universidade de Wellesley (Massachusetts) e autora de Remixing reggaetón: The cultural politics of race in Puerto Rico
Como o reggaeton evoluiu?
O reggaeton tem uma história longa e complexa. Embora muitas vezes seja associado a Porto Rico, combina influências musicais de toda a bacia do Caribe. Duas de suas maiores influências são o hip hop e o dancehall (ritmo jamaicano), que chegou pelo Panamá. Nos anos 1990, os DJs porto-riquenhos combinaram esses elementos com outras influências para criar uma música underground que circulou informalmente. O underground era música de festa, mas também dava espaço à s crÃticas polÃticas e temas como pobreza, racismo e brutalidade policial. À medida que o underground se propagou, passou a ser alvo de campanhas de censura em meados dos anos 1990 que, ironicamente, ajudaram a mostrar o gênero a novos públicos. Nessa época, começou a ser conhecido como reggaeton. Em 2012, Tego Calderón lançou El abayarde, o álbum que levou o reggaeton ao mainstream de Porto Rico. Depois, em 2004, Daddy Yankee lançou Gasolina, que colocou o reggaeton no mapa da música latina.
Por quais problemas o gênero passou?
Desde o inÃcio, o reggaeton teve uma reputação de hipersexualizado, misógino e de estar relacionado à s drogas e ao crime. No meu livro, repasso duas campanhas de censura. Uma foi em 1995, quando a polÃcia confiscou gravações por suas associações com o sexo e as drogas. A outra ocorreu em 2002, quando o Senado porto-riquenho realizou audiências para analisar o que percebia como representações hipersexualizadas das mulheres nos clipes musicais. Essas campanhas de censura foram motivadas por essas novas expressões sobre o que era ser negro e porto-riquenho. O reggaeton deu aos artistas uma oportunidade de articular suas conexões com a diáspora africana, especialmente para a juventude negra, e isto ameaçava o dogma de que não existia racismo em Porto Rico, porque mostrou que isso era falso.
As letras são muitas vezes acusadas de misóginas, como o reggaeton responde a isso?
Penso que temos que ser crÃticos com as representações misóginas do reggaeton. Não obstante, não acredito que devamos culpá-lo exclusivamente por isso. O gênero não opera no vazio: há problemas maiores de misoginia que devem ser abordados pelas sociedades de Porto Rico, dos Estados Unidos e da América Latina. E também pelas elites, que muitas vezes são deixadas de lado nesse tipo de discussão.
Em geral, as elites são as que mais criticam o reggaeton como um gênero ''menor''. Por que essa percepção?
O reggaeton sempre esteve ligado a comunidades vÃtimas de estereótipos problemáticos associados a cidadãos pobres e não brancos. Isto é o prolongamento dos antigos estereótipos e da discriminação institucionalizada que desde os tempos da escravidão existiram sobre a raça e a classe em Porto Rico e nas Américas.


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